Seu interesse pelas Artes começa cedo, em casa, o que o levaria para a Escola de Belas  Artes, onde trabalhou e desenvolveu seu talento com nomes como Oswaldo Goeldi, Roberto Delamonica e  Ivan Serpa. A inquietação dos anos da ditadura, com seus exílios forçados ou voluntários, fez com que Elyseu Visconti Cavalleiro enveredasse no turbilhão de sua época, com o desenvolvimento  do Cinema como linguagem em  um país  considerado subdesenvolvido e sob censura.

‘VISCONTI CAVALLEIRO: ELYSEU, a cor do olhar’ 

CINE SESC (SP) - 2013

SINOPSE DO EVENTO - A Mostra contou com a exibição de dez filmes do diretor e realizador ELYSEU VISCONTI CAVALLEIRO, incluindo os dois  longas (‘Os Monstros de Babaloo’ e ‘O Lobisomem - O Terror da Meia Noite’) e seus docfolks, sobre  cultura popular, destacando-se ‘Folia do Divino’, ‘Ticumbi’ e ‘Boi Calemba’, entre  outros. A grade contemplou ainda um dia de documentários especiais.

No foyer do Cine SESC, houve a apresentação de uma edição de entrevistas importantes na trajetória de Elyseu Visconti, feita pela pesquisadora Anna Lucia Marcondes e pelo curador Paulo Klein, realizada pela Via Cultural para o Cine SESC.

Segmento da mostra, a exposição foi resultado de aproximadamente três anos de pesquisas e entendimentos por parte de Anna Lucia Marcondes, diretora da Via Cultural e do jornalista, crítico e curador Paulo Klein. Sintética e singela exposição ‘Visconti Cavalleiro – a cor do olhar’, ocupou o foyer do CINE SESC de janeiro a março de 2013. Nela foi apresentada uma panorâmica da vida e obra do artista carioca, desde seus antepassados, importantes nas Artes Visuais (ele é neto de Eliseu Visconti e de sua atuação no Cinema, onde sua obra estranha e enigmática desperta as mais diversas opiniões até hoje. Dentro de uma estética emprestada dos anos 70/80, com referências e releituras às exposições pós-hippies e punks, imprensa alternativa, poesia de mimeógrafo, xerox, letra set e máquina de escrever, a exposição propõe em seus painéis, fundos e diagramação, uma leitura deste fenômeno estranho chamado Elyseu Visconti Cavalleiro.

A exposição apresentou fotogramas, fotografias, documentos importantes, textos abalizados e fez – seguindo uma estética da imprensa alternativa dos anos 70/80 – contraponto entre as muitas afinidades de Elyseu Visconti Cavalleiro que, além de cineasta, cultivou o  prazer pelo desenho e pela pintura, seguindo uma tradição familiar. A exposição reuniu reproduções de seu álbum familiar, de seus portfólios de trabalhos, passando por referências e cartazes, além de textos de personalidades como Gilberto Freire, Luis da Câmara Cascudo, Raul Lody e Marcia Guimarães, entre outros.

Para Paulo Klein, que assinou a  curadoria do evento, ‘o resgate da produção difusa e anárquica de Elyseu Visconti Cavalleiro é importante por se tratar  de um personagem ímpar, repleto de histórias e vivências, mas que acima de outras questões, soube o momento de optar pelo cinema sem abandonar as experiências com as artes plásticas. É fascinante esta convergência entre desenho expressionista x cinema noir x folkdocs. Elyseu é um exemplo estupendo de vitalidade  e criatividade na época  da ditadura militar, colaborou  com  cineastas  como  Julio Bressane, Neville de Almeida e Rogério Sganzerla, que autorizou em carta que Elyseu usasse de toda a liberdade para que o então jovem montador editasse e colocasse trilha musical  em seu ‘Carnaval na Lama’. Figura ativa até hoje, com muito  a ensinar para as novas gerações, Elyseu Visconti Cavalleiro é um sobrevivente entre artistas brasileiros verdadeiramente inventivos.”  

 

No dia 22 de janeiro, junto à abertura da exposição, houve a apresentação do filme longa metragem, ‘Os Monstros de Babaloo’ em cópia 35mm. No dia 23 de janeiro, aconteceu o CINEMA  DA VELA, com a presença e participação de Elyseu Visconti Cavalleiro, Julio Bressane e convidados.

‘VISCONTI CAVALLEIRO – CINEMA & INVENÇÃO’ 

SESC PALLADIUM (BH) - 2013

 

A mostra multimídia itinerante “VISCONTI CAVALLEIRO – Cinema e Invenção” presta homenagem aos 40 anos de carreira como autor, cineasta, fotógrafo, artista plástico e etno-pesquisador do cenário cultural brasileiro de Elyseu Visconti Cavalleiro.

Compreendida de exposição com fotogramas que dão luz à trajetória do cineasta, conta com: um vídeo documentário montado para a mostra, além da exibição dos documentários e os dois longas proibidos do diretor. O evento será acompanhado do SEMINÁRIO CINEMA E INVENÇÃO: uma tarde de palestras com convidados falando sobre a montagem, música, cenografia, temas e abordagens da estética do cinema marginal e cinema de invenção. A mostra ficará registrada e terá como produto um Catálogo com textos curatoriais, texto do realizador e textos de Câmara Cascudo, Gylberto Freire, Raul Lody, Márcia Guimarães, Julio Bressane, entre outros; além de fotos de Elyseu em ação, de cenas de seus filmes, trabalhos, pinturas, desenhos e posters.

 

Seminário Cinema & Invenção

Resgatando o termo usado pelo crítico de cinema Jairo Ferreira, o Seminário ‘Cinema & Invenção’ abriu debate sobre o cinema incômodo desenvolvido por cineastas como Elyseu Visconti, Rogério Sganzerla, Ivan Cardoso e Andrea Tonacci, entre outros, nos anos 80, ainda sob o raios fulminantes da censura aos meios de expressão.

A ideia é que se comentasse sobre experiências individuais como as dos cineastas citados, como de produtoras como a Bel Air, do diretor Rogério Sganzerla e da atriz Helena Ignez, e como se deram as interações, cooperativismo e trabalhos coletivos destes profissionais na época. Importante ressaltar-se quais as qualidades desta produção, num momento em que todos os meios pareciam conspirar contra uma filmografia questionadora e independente.

Para o debate, Elyseu convidou personalidades importantes nessa trajetória e apresentou palestras sobre os temas diversos dentro da estética e produção marginal do cinema de invenção das décadas de 70/80. Participação de Helena Ignez – atriz emblemática do cinema marginal que atuou no longa de ficção do diretor “Os Monstros de Babaloo” de Elyseu Visconti Cavalleiro -, Geraldo Veloso – cineasta, crítico, ensaista e pesquisador de cinema -, e Ewerton Belico – professor, crítico de cinema e curador do forumdoc.bh. As mesas foram mediadas por Paulo Klein, jornalista cultural, crítico de artes visuais membro da ABCA e AICA, e curador das mostras ‘VISCONTI CAVALLEIRO – A COR DO OLHAR’ e ‘VISCONTI CAVALLEIRO – CINEMA & INVENÇÃO’.